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Mostrando postagens de 2016

O ESPELHO DOS MILAGRES - IVAN PESSOA

 O ESPELHO DOS MILAGRES

Como posso ter uma identidade sem um espelho?” 
(William Golding, Pincher Martin)

*** Por Ivan Pessoa *** §1 O que turva imediatamente em momentos de crise – como se os olhos estivessem prenhes e cegos – é a representação: aqui compreendida como espelho. Em meio à crise, aceitar sem resmungos aquilo que os olhos veem perante o espelho, é a condição primeira para o autoconhecimento, de sorte que refleti-lo implica autoaceitação e contínuo aprimoramento. Neste instante, aquele que aceita a si mesmo face-a-face, capta humildemente uma certeza: ‘-Eu sou isto’. Do mesmo modo, ignorar ou pretender adulterá-lo é empreender distância daquilo que os olhos veem, culpando ou onerando as deficiências da pupila, da retina e do globo ocular pela recepção da imagem refletida. Por não suportar a si mesmo, o que surge perante os olhos são alentadas justificativas: ‘– Não consigo ver a mim mesmo, portanto, tudo ao redor me ofusca, e tem culpa. ‘ Justificar o que os olhos veem como uma…

AS AFINIDADES ELETIVAS DE UM SONHO - IVAN PESSOA

“(…). o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.”
(João Cabral de Melo Neto) As afinidades eletivas de um sonho 12 de fevereiro de 2016


Por Ivan Pessoa *** §1 Da certeza de Hölderlin, eu compactuo sem titubeios: “O homem é um deus quando sonha e um mendigo quando pensa.” Sem mais delongas, isto se justifica pela loucura do poeta, que viveria (durante quarenta anos) municiado por um carpinteiro que o abrigaria – em seu longo e silencioso degredo – nas dependências de uma torre. Não é de admirar que, no auge de sua loucura – nos cômodos daquela torre às margens do Rio Neckar – Hölderlin recepcionasse suas visitas com as seguintes palavras: ‘Entre, Vossa Senhoria’, ou, ‘Sente-se, Sua Alteza.’ Em ambos os contextos, o poeta decisivamente transparece a certeza de que, em tal estado crepuscular, nos elevamos à uma nobiliárquica condição, à maneira de uma divindade. De certa feita, temos, proporcionalmente, a nobreza de um deus que sonha, mas que despertos, …

"O CORCUNDA DE NOTRE DAME" - VICTOR HUGO

O CORCUNDA DE NOTRE-DAME: GROTESCO, SUBLIME E DEFICIÊNCIA NA IDADE MÉDIA
Nerli Nonato Ribeiro Mori Resumo
A coexistência do grotesco e do sublime e, ao mesmo tempo, as fronteiras que o separam se constituem em ponto de partida para discutirmos o tema da deficiência na Idade Média, tal como representada na obra o Corcunda de Notre Dame, de Victor Marie Hugo. Como é a vida de Quasímodo, personagem externamente disforme e grotesco, mas também terno, ingênuo e apaixonado? Quais as representações sobre deficiência presentes nesta história ambientada na Paris do século XV? Ao buscar resposta para estas questões, tenta-se entender como os dramas demonstrados na história original foram se transformando na versão produzida para a televisão e lançada em 1997, bem como no desenho animado com o mesmo nome e um dos maiores sucessos dos estúdios de Walt Disney.
"O Corcunda de Notre Dame"-Victor Hugo "Notre Dame de Paris", mais conhecida como "O Corcunda de Notre Dame", mas …

O PEQUENO PRÍNCIPE ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY - RESENHA DO LIVRO

29 M

Livro: O Pequeno Príncipe Título original: Le Petit Prince Autor (a): Antoine de Saint-Exupéry Editora: Geração Editorial Páginas: 160 ISBN: 9788581303079

{Resenha} O Pequeno Príncipe — Antoine De Saint-Exupéry
Sinopse: O Pequeno Príncipe - Um piloto cai com seu avião no deserto e ali encontra uma criança loura e frágil. Ela diz ter vindo de um pequeno planeta distante. E ali, na convivência com o piloto perdido, os dois repensam os seus valores e encontram o sentido da vida. Com essa história mágica, sensível, comovente, às vezes triste, e só aparentemente infantil, o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry criou há 70 anos um dos maiores clássicos da literatura universal. Não há adulto que não se comova ao se lembrar de quando o leu quando criança. Trata-se da maior obra existencialista do século XX, segundo Martin Heidegger. Livro mais traduzido da história, depois do Alcorão e da Bíblia, ele agora chega ao Brasil em nova edição, completa, com a tradução de Frei Betto e enriquecida …

QUAL O VERDADEIRO SIGNIFICADO DOS CONTOS DE FADA

Qual o verdadeiro significado dos contos de fadas?Hephzibah AndersonDa BBC Culture
6 janeiro 2015 Era uma vez um estúdio de animação chamado Walt Disney Company, que lançou um feitiço que o permitiu assumir o controle do reino dos contos de fadas e se tornar uma corporação de mídia multinacional maior que o pé-de-feijão de João. Desde então, gerações de crianças de todo o mundo cresceram assistindo a versões animadas de histórias que durante séculos não estavam nem no papel, e muito menos vinham acompanhadas de uma infinidade de brinquedos caros. Malévola, a mais recente aposta da Disney na caixa registradora das bilheterias, tenta recuperar o lado negro da história da Bela Adormecida. Com um orçamento de mais de US$ 175 milhões, o filme traz Angelina Jolie no papel da fada má cuja perversidade é realçada por chifres, vestidos vampirescos e bochechas pontiagudas. A narrativa é contada sob o ponto de vista dessa sedutora anti-heroína, e descreve como um coração puro se transformou em pedra…