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RITUAIS DIÁRIOS : COMO OS ARTISTAS FUNCIONAM

Victor Hugo


Rituais Diários: Como os Artistas Funcionam

Como grandes escritores, músicos, filósofos, pintores e cientistas administravam suas rotinas e hábitos de produção intelectual. O que Truman Capote e Marcel Proust tinham em comum? Ambos trabalharam na cama, cercados por um casulo de comida, álcool e cigarros.

Todos nós temos as mesmas 24 horas do dia para executar as coisas que precisamos e queremos fazer. Mas muitas vezes parece que certas pessoas conseguem produzir muito mais com suas mesmas 24 horas. É desesperador você querer fazer tudo e quando se dá conta, no final do dia, não fez nem a metade daquela lista estratosférica de coisas que você acordou jurando que conseguiria fazer. Vai me dizer que você nunca pensou aí com seus botões, em como é que algumas pessoas conseguem escrever livros, peças de teatro, compor canções, pintar quadros, enquanto você mal consegue por o lixo da cozinha na lixeira geral do prédio, ou por sua lista de filmes em dia? Será que estas pessoas extremamente bem-sucedidas têm menos compromissos diários? Elas são mais eficientes, mais assessoradas, mais focadas, ou mais disciplinadas? Onde é que eles encontram ou encontraram tempo?
Essas são algumas das questões por trás do livro Daily Rituals: How Artists Work (Mason Currey, 2013). O que na tradução fiel seria: “Rituais Diários: Como os Artistas funcionam.” O livro aborda as rotinas e hábitos de 161 mentes brilhantes e inspiradoras. Entre escritores, compositores, pintores, filósofos, dramaturgos, cineastas, cientistas. Para a minha felicidade, descobri que os hábitos de pobres mortais como eu, estão só há uns 500 km de distância dos hábitos de algumas dessas grandes mentes. Enquanto eu pensava que eram, no mínimo, uns três bilhões de anos luz. O livro aponta como essas pessoas dividiam seu tempo e identificaram rotinas favoráveis à criação, não obstante as desfavoráveis. De todos os diferentes tipos de artistas abordados no livro, os escritores parecem ser os mais propensos às rotinas inabaláveis e superstições sagradas.
Daily Rituals não é apenas um almanaque detalhado de horários e rotinas, é também, um livro de curiosidades inusitadas, como a sobre Benjamin Franklin, que, apesar de ocupado e constantemente trabalhando em fervor ininterrupto, ainda encontrou uma hora de lazer em suas manhãs, onde lia seus estudos sob o sol, completamente nu. Já Kierkegaard, que possuía uma coleção enorme de diferentes xícaras de café, fazia seu criado escolher a mais adequada para o seu café da tarde. Ele nunca utilizava a mesma xícara na semana. Ainda há uma passagem sobre Pablo Picasso em seus picos de criação. O artista, quando havia visitas hospedadas em sua casa, almoçava apenas um dia com elas. Nos outros dias almoçava sozinho isolado em seu estúdio.O que Truman Capote e Marcel Proust tinham em comum? Ambos trabalharam na cama, cercados por um casulo de comida, álcool e cigarros.
Destaco abaixo algumas rotinas descritas no livro:
SIMONE DE BEAUVOIR (França, 1908-1986)
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Embora a produção de suas obras ficasse sempre em primeiro lugar em sua vida, sua agenda diária girava em torno de seu relacionamento com Jean-Paul Sartre (que escrevia mastigando tablets de Corydrane, uma mistura de anfetamina e aspirina. A recomendação diária de seu médico era de 10 tablets por dia) que durou de 1929 até sua morte em 1986. Beauvoir geralmente trabalhava sozinha na parte da manhã. Juntava-se a Sartre para o almoço no apartamento dele. Passava a tarde trabalhando com ele em silêncio total. À noite participava de eventos políticos e sociais. Em seguida ia para sua casa com Sartre para tomar uísque e ouvir rádio. A rotina seguia da mesma forma no dia seguinte.
Principais obras: Todos os Homens São Mortais, O Segundo Sexo, A Força das Coisas, A Velhice.
JANE AUSTEN (Reino Unido, 1775-1817)
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Acordava, cedo antes de todas as outras mulheres da casa para tocar piano. Sendo ela uma peça importante nos serviços da casa, às 09h00 organizava o café da manhã da família. Em seguida sentava na sala de estar para escrever, enquanto sua mãe e irmã costuravam tranquilamente ao seu lado. Se visitas aparecessem, ela escondia seus papeis e se juntava a mãe e irmã na costura. O jantar, a principal refeição do dia, ela organizava para ser servido entre 15h00 e 16h00. Após o jantar, conversava, jogava cartas e tomava chá. No começo da noite lia seus escritos do dia em voz alta para seus familiares.
Principais obras: Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito, Persuasão, Os Watson.
VICTOR HUGO (França, 1802-1885)
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O principal escritor do Romantismo francês levantava-se todos os dias de madrugada, despertado pelos tiros diários de uma fortaleza próxima a sua casa e, em pé, escrevia em frente ao espelho sobre uma pequena mesa. De manhã, diariamente recebia um pote de café fresco e uma carta de sua amada, Juliette Drouet. Após ler as palavras apaixonadas de “Juju”, ele engolia dois ovos crus. Em seguida fechava-se de novo até às 11h00 para escrever.
Principais obras: O Corcunda de Notre Dame, Os Miseráveis, Os Trabalhadores do Mar, O Homem Que Ri.
STEPHEN KING (EUA, 1947)
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King escreve todos os dias do ano, incluindo feriados e no dia de seu aniversário. Ele quase nunca deixa de escrever sem antes atingir sua cota diária de duas mil palavras. Ele trabalha no período da manhã, começando por volta das 08h00 e acaba às 11h30. Tem as tardes livres para sonecas, ler cartas, livros, dar atenção à família e assistir jogos do Red Sox na TV.
Principais obras: O Iluminado, A Dança da Morte, A Torre Negra.
LEON TOLSTOI (Rússia, 1828-1910)
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"Eu tenho que escrever todos os dias sem falta, não tanto para o sucesso do trabalho, mas para não sair da minha rotina."
Este é Tolstoi em uma das poucas entradas em seu diário, durante meados da década de 1860, quando ele estava profundamente envolvido na escrita de Guerra e Paz.
De acordo com Sergei (seu filho), Tolstoi trabalhou em isolamento profundo. Ninguém estava autorizado a entrar em sua biblioteca, e as portas para os quartos adjacentes foram bloqueadas para garantir que ele não seria interrompido.
Principais obras: Guerra e Paz , Anna Karerina.
GEORGE ORWELL (Índia - 1903, Inglaterra - 1950)
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Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo George Orwell, era assistente na Booklovers, uma livraria de segunda mão em Londres. Aos 30 anos e solteiro, ele acordava as 07h00 para abrir a livraria às 08h45. Permanecia lá por mais uma hora. Depois tinha tempo livre até as 14h00. Neste tempo livre, escrevia até a hora de voltar para a livraria. Trabalhava novamente até as 18h30 e após isso se encontrava com amigos para beber. Voltava para a livraria onde permanecia escrevendo até as 00h30. Período em que ele era mentalmente mais alerta e produtivo.
Principais obras: A Revolução dos Bichos e 1984.
JAMES JOYCE (Irlanda - 1882, Suíça -1941)
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O autor de “Dublinenses” e “Finnegans Wake” não acordava muito cedo. Ele escrevia à tarde, período, dizia, em que “a mente está em seu melhor momento” (a frase é de sua autoria). O irlandês passava as noites em cafés e restaurantes. “Com frequência amanhecia cantando velhas canções irlandesas” em algum bar. Ele se “orgulhava de sua voz de tenor”. “Em 1914, quando já havia começado a escrever ‘Ulysses’, trabalhava” na elaboração do “livro todos os dias”. Mas seguia escrevendo apenas à tarde e, à noite, confraternizava com os amigos. Em outubro de 1921, depois de sete anos de trabalho, terminou o romance. “Calculo que devo ter passado quase 20.000 horas escrevendo ‘Ulysses’”, revelou. Uma de suas principais obras foi T. S. Eliot .
BALZAC (França 1799-1850)
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A rotina de produção de Balzac era extremamente disciplinada: Ele jantava às 18h00. Após o jantar dormia até a 01h00. Debruçava-se sobre sua escrivaninha e trabalhava por sete horas ininterruptas. Às 08h00 se permitia 90 minutos de cochilo. Depois, das 09h30 às 16h00 retomava a escrita bebendo xícaras e xícaras de café. Estima-se que Balzac bebia pelo menos umas 50 xícaras de café por dia. Às 16h00 fazia uma curta caminhada, tomava banho e recebia visitas até as 18h00, onde o ciclo começava novamente.
Principais obras: A Comédia Humana, A Mulher de Trinta, O Lírio do Vale, Ilusões Perdidas.
O livro ainda fala sobre Karl Marx, Woody Allen, Mozart, Beethoven, William Faulkner, Anne Rice, Charles Darwin e muito mais. É uma leitura irresistível. As rotinas, muitas delas são fascinantemente mundanas e podemos facilmente nos ver a praticá-las. Então, mãos a obra, literalmente!!
Fontes: Livro em PDF -> Ebook300 Multiversia Shortlist e o próprio livro impresso.

Fonte:
© obvious:http://lounge.obviousmag.org/sobre_todas_as_coisas/2014/09/rituais-diarios-como-os-artistas-funcionam.html#ixzz3DEZPaksF 
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